Ataque ao legado: Em meio a conluio, Palácio Thomé de Souza deve ser novamente enxotado da Praça Municipal

 Ataque ao legado: Em meio a conluio, Palácio Thomé de Souza deve ser novamente enxotado da Praça Municipal


Material publicada originalmente no Jornal Metropole em 28 de novembro de 2024

A história parece se repetir, agora com diferentes personagens, mas também representando uma perda para o Executivo Municipal e a história de Salvador e, de brinde, um ataque ao legado de um dos maiores arquitetos do país. Apesar de ainda não ter data definida, a sede da prefeitura da capital vai deixar o Palácio Thomé de Souza, prédio símbolo de ousadia e resistência. Ela deve ocupar o Palácio Arquiepiscopal da cidade, saída encontrada por conta de um processo do Ministério Público Federalista, de 2000, que pede a demolição do prédio.

Por que o déjà vu? Porque em 1981, a prefeitura já havia sido enxotada da Terreiro Municipal. Depois que o logo prefeito biônico Mário Kertész provocou a própria deposição, o governador da idade, Antonio Carlos Magalhães (ACM), expulsou a prefeitura da Terreiro Municipal. Até logo, ela funcionava no Palácio Rio Branco, mas foi enviada para o Talento Velho de Brotas. Tudo isso sob a justificativa de que “não queria prefeito com vontade de ser governador”. Agora, quem age de forma semelhante é o MPF e a Justiça, que depois de 24 anos resolveu ignorar a preço do prédio e da presença da prefeitura naquele sítio, e enxotá-la novamente.

O Palácio Thomé de Souza é a resistência à arbitrariedade e reconhecimento da preço do Meio Histórico. Ele foi inaugurado em 1986, depois Mário Kertész ser eleito pela população, com a promessa de retornar a prefeitura para Terreiro Municipal. Projetado pelo arquiteto João Filgueiras Lima, o Lelé, o palácio levou 14 dias para ser levantado no sítio onde antes funcionavam um estacionamento e o jardim publicado uma vez que Cemitério de Sucupira.

Lelé unia o que tinha de mais inovador na idade. São dele também os projetos do Meio Administrativo da Bahia (CAB), das tradicionais passarelas da cidade, do Hospital Sarah e do Módulo Iansã da Faculdade de Arquitetura da UFBA, que, inclusive, será reaberto com uma programação em homenagem ao legado do arquiteto. Para o antropólogo Roberto Costa Pinho, a ação que pede a demolição do Thomé de Souza trata de um “conluio político” contra a participação de Lelé, um arquiteto carioca, que morreu em 2014. “É um conluio contra Lelé e contra o conjunto de pessoas envolvidas no projeto”, critica ele.

O resultado dessa picuinha é a perda de um símbolo histórico soteropolitano. “É uma falta de compromisso histórico com a cidade. É o ignorância que os marcos importantes da cidade devem ser preservados. Ali é a primeira Terreiro dos Três Poderes no Brasil. As pessoas não fazem essa relação”, conclui o antropólogo.



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