Brasil terá de explicar graves acusações que levaram a renúncia de Moro

Candidato a entrar no grupo dos países desenvolvidos, o Brasil será questionado sobre as acusações feitas por Moro contra Bolsonaro.

Em entrevista à BBC News Brasil por telefone, ele qualificou como “extremamente preocupante” a demissão de Sergio Moro, ex-juiz da Operação Lava Jato.

Em um pronunciamento no fim da tarde dessa sexta, Bolsonaro negou que tenha tentado influenciar o trabalho da Polícia Federal.

“Sergio Moro é um símbolo no combate à corrupção, ele é um lutador, conhecido por fazer um trabalho em situações adversas.

“O trabalho de Moro iniciou uma bola de neve que se tornou tão grande, e ele provou que é possível investigar e punir corrupção mesmo em situações muito difíceis, como as que temos na América Latina”, diz o dirigente da OCDE.

‘Condutas criminosas do presidente’

Entrada na OCDE é buscada pelo governo Bolsonaro desde o início, mas agora queda de um de seus principais ministros pode trazer mais dificuldades — Foto: Evaristo Sa/AFP

Desde o início do governo Jair Bolsonaro, o Brasil passou a ter como um de seus principais objetivos na política internacional a obtenção de um assento na OCDE. Para tanto, negociou até mesmo o endosso dessa candidatura junto aos Estados Unidos, fazendo uma série de concessões ao governo Trump para obtê-la. O apoio americano ao Brasil veio em janeiro.

Para ser aceito no grupo dos países desenvolvidos

O país precisa comunicar seus avanços em temas como saúde, educação e combate à corrupção. Porém, o Brasil tem mandado relatórios períodicos sobre as informações nesta área o que ajuda os avanços e os retrocessos. Kos e sua equipe também estiveram no Brasil em novembro, para checar in loco a situação.

Segundo ele, as afirmações de Moro não podem cair no vazio e devem ser investigadas. Pela Constituição Brasileira, o presidente só pode ser investigado com autorização do Supremo Tribunal Federal. Caso a investigação, conduzida pela Procuradoria Geral da República, se torne uma denúncia, o Congresso terá que aceitá-la para se inicie um processo de impeachment. O procurador geral da República, Augusto Aras, já pediu autorização ao STF para investigar Bolsonaro.

“Eu espero que, quando o Ministro da Justiça renuncia acusando o presidente de condutas tão graves, haja alguém no Brasil que vai investigar as acusações do juiz Moro. E se forem todas verdadeiras, o presidente deve responder por condutas criminosas”.

Ele qualificou de “hesitante” as medidas do governo federal na luta contra a epidemia de coronavírus. O país já possui mais de 50 mil casos da doença, com mais de 3 mil mortes e, na semana passada, Bolsonaro demitiu o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

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