“É uma privatização das praias que não podemos admitir”, diz promotora sobre espigões na Praia do Buracão

 “É uma privatização das praias que não podemos admitir”, diz promotora sobre espigões na Praia do Buracão


Uma novidade audiência pública promovida pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) é realizada nesta sexta-feira (6) para debater os impactos ambientais e sociais da construção de dois prédios na praia do Buracão, no bairro do Rio Vermelho, em Salvador. O evento, que acontece no salão paroquial da Igreja Nossa Senhora de Santana, conta com a presença de representantes de instituições, movimentos sociais e moradores.

Ambientalistas e a comunidade lugar alertam que os prédios podem promover sombreamento na praia, mormente no solstício de inverno, o que, segundo a promotora de Justiça Hortênsia Pinho, configura uma violação de diversas normas. O projeto, de autoria da OR Imobiliária Incorporadora, empresa do Grupo Novonor, prevê a construção de dois edifícios de 16 andares em três terrenos já adquiridos.

“A gente constatou que realmente a situação de risco de sombreamento das praias é muito grave e hoje a gente tem um vestuário novo. A gente acabou de receber um estudo da Universidade Federalista da Bahia que comprova que os prédios do Buracão, da OR no Buracão, sombrearão significativamente a praia do Buracão, comprometendo sua funcionalidade, porque uma praia é para você tomar sol, não é para você tomar sombra”, destacou a promotora.

Privatização das praias

Durante entrevista à Rádio Metropole, Hortênsia Pinho reforçou que “se um empreendimento sombreia a praia, ele usurpa um muito de uso generalidade do povo, e isso é uma privatização das praias que a gente não pode comportar e que o Ministério Público não compactua”. A promotora ainda destacou que a mobilização social é necessário para combater esse tipo de problema em Salvador. A cidade já enfrenta riscos semelhantes em outras praias, porquê Jaguaribe e Stella Maris, onde empreendimentos ameaçam promover sombreamento ou até restringir o entrada público.

“Essa união da sociedade soteropolitana se insurgindo contra o sombreamento será fundamental. Eu acredito que é o que realmente vai funcionar, mais do que uma ação judicial. É um cenário de risco, e precisamos reagir, seja por meio de remédios jurídicos, seja com uma mobilização social possante”, afirmou.

SOS Buracão

O arquiteto Daniel Passos, integrante do movimento SOS Buracão, realizou projeções que evidenciam os impactos do sombreamento na praia. “Fiz as projeções de sombreamento a partir da profundidade totalidade dos prédios, e os resultados são nefastos e assustadores para quem frequenta o Buracão”, afirmou.

Segundo Passos, o projeto foi ratificado com base no item 111 do PDDU, que permite a demolição de habitações deterioradas mediante contraprestação financeira à prefeitura, dispensando a premência de estudo ambiental. “Os empreendimentos foram isentos de estudos ambientais, mas carregam o selo verdejante da cidade de Salvador. Com isso, eles conseguiram um desconto na contraprestação financeira que haviam se proposto”, criticou.

Confira o Repórter Metropole:



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