“Humilhação é a principal motivação para toda luta política”, diz Jessé Souza

 “Humilhação é a principal motivação para toda luta política”, diz Jessé Souza


No livro O pobre de direita: A vingança dos bastardos, o sociólogo Jessé Souza analisa a trajetória do cidadão atraído pela extrema-direita, fazendo uma semelhança à história do personagem Coringa. A estudo acabou, na última semana, se assemelhando mais a uma previsão, posteriormente o incidente em que Francisco Wanderley Luiz, vestido de coringa, aciona explosivos e morre com um deles em frente ao Supremo Tribunal Federalista. Em entrevista à Rádio Metropole nesta segunda-feira (18), o sociólogo explicou que a extrema-direita age a partir do sentimento de humilhação naquele cidadão vulnerabilizado pela ação do próprio capitalismo.

“Humilhação é a principal motivação para toda luta política. Quando vc mostra que tem uma saída e tem um causante real, você tem as grandes revoluções que o Oeste já teve. Mas, quando você não sabe quem é o seu inimigo, você pode ser manipulado naquela sua urgência mais básica e ser usado porquê volume de manobra de uma mesma escol, porque toda extrema-direita no fundo era partido elitista, mantendo lucro das empresas e etc”, explicou.

No caso do Coringa e das classes mais vulneráveis socialmente e atraídas pela extrema-direita, não há, segundo Jessé, a nitidez de quem é o inimigo. “O Coringa é justamente um resultado desse capitalismo financeiro. Um rostro que empobreceu, estagnou, se sente humilhado porque não vê mais o reconhecimento do seu trabalho, não consegue remunerar mais as contas, proferir um horizonte provável. E o principal: ninguém explicou isso pra esse rostro. Uma vez que ele vai saber que quem rouba ele é o rentismo dos bancos, a prelo inteira está nas mãos desse pessoal”, explicou.

Segundo Jessé, é essa desorientação e esses sentimentos de humilhação e raiva que vão terebrar as portas para que a extrema-direita o atraia, fazendo com que ele se sinta empoderado. “A extrema-direita acrescenta ainda um sistema imaginário, [os inimigos] vão ser os inimigos do Trump, de Bolsonaro. O que esse rostro recebe com isso é um sentido pra vida. Ele pega aquela humilhação e pode colocar a culpa em alguém, não mais se sentir um lixo, e acredita que está participando de um projeto grandioso. Imagine um rostro que nunca teve zero e dão a ele um projeto de horizonte, uma possibilidade de saída heróica da vida nas sombras”, afirma Jessé, destacando que o trágico caso de Francisco Wanderley Luiz é a síntese de todo momento político que a sociedade vive.

Confira o glosa na íntegra:



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